Médico que não deseja ver o filho na profissão costuma bater de leve nas costas dele – tem de ser bem de leve e desde pequenininho – com um estetoscópio, aquele aparelho de escutar pacientes, que possui uma mangueirazinha. Vocês conhecem. O remédio é infalível. O herdeiro pode fazer tudo na vida, menos medicina. E pro cara não inventar de ser escritor, qual o despacho?
Acho que enveredei por esse caminho por um de três motivos: o primeiro é que eu desejava ser mais sabido e ler bem mais do que meu pai; o segundo é que eu era um fracasso como galã, e só me saía bem como intelectual; o terceiro é que me davam de lanche uns biscoitos com formato de letras, molhados no café. Acho que sofri indigestão dos inúmeros alfabetos que engoli e o remédio foi botá-los para fora como contos, novelas, romance, crônicas e teatro.
Mas o que isso tem a ver com a livraria Café com Letras Brasília DF, como está escrito no Google? Quando Luíza Neiva escreveu para mim falando do seu espaço e me convidando para um café, lembrei da minha experiência de menino. E desde esse tempo somos amigos sem nunca nos termos visto, apenas de saber que os meus livros circulam pelas prateleiras da livraria e que as pessoas os folheiam e engolem letrinhas e palavras e frases e páginas inteiras das invenções em que transformei as tantas letras que degustei com café. Elas, também, lêem saboreando café.
Parabéns, Luíza, pelas letras que você serve com a mais deliciosa de todas as bebidas: o café! ”
escritor
Ronaldo Correia de Brito